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Deixa de ser residente fiscal no Canadá quando sai do país?

Em resumo

Decidem os laços, não o calendário

A abordagem do Canadá é invulgar: a contagem de dias é a via secundária, não a principal. A administração fiscal canadiana (Canada Revenue Agency, CRA) verifica primeiro se manteve laços de residência significativos: sobretudo uma habitação à sua disposição, um cônjuge ou companheiro no Canadá e pessoas a cargo no Canadá.

Os laços secundários pesam-se em conjunto e não um a um: bens pessoais, ligações sociais e económicas, carta de condução, cobertura de saúde, contas bancárias e filiações. Nenhum decide por si só, e avalia-se a situação no seu todo.

A consequência prática é que sair fisicamente do país prova muito pouco por si só. Quem se muda para o estrangeiro, mas mantém uma casa disponível e a família no Canadá, pode muito bem continuar a ser residente de facto, tributado pelos rendimentos obtidos em todo o mundo, por poucos dias que lá passe.

A via dos 183 dias

Em paralelo, há a regra da permanência temporária (sojourning). A residência presumida exige três condições em conjunto, e a contagem de dias é só a primeira: ficou no Canadá 183 dias ou mais no ano, não tem laços de residência significativos e não é considerado residente de outro país ao abrigo de uma convenção fiscal. Qualquer parte do dia conta, embora a CRA exclua os dias em que se desloca para trabalhar a partir dos Estados Unidos.

É a via que apanha quem não tem intenção nenhuma de viver no Canadá: destacamentos longos, visitas prolongadas à família, um padrão de trabalho que acaba por passar a linha. A residência presumida aplica-se ao ano inteiro, e não apenas à parte posterior ao 183.º dia.

Sair como deve ser é um acontecimento, não uma ausência

Como a residência depende dos laços, pôr-lhe fim passa por cortá-los e poder mostrar quando o fez. A data importa: determina a divisão entre o período de residente e o de não residente, e o Canadá aplica à saída uma alienação presumida de certos bens, pelo que o momento tem consequências diretas.

Uma convenção também pode intervir. Se outro país também o considerar residente, as regras de desempate da convenção podem atribuir-lhe a residência nesse país e torná-lo não residente presumido (deemed non-resident) do Canadá, um estatuto diferente de simplesmente não ser residente, com efeitos próprios.

Tudo isto depende muito dos factos e tem peso financeiro, por isso é matéria para aconselhamento profissional e não para uma lista de verificação.

Fontes oficiais