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A regra Schengen 90/180 afeta a minha residência fiscal?

Em resumo

Duas contagens a correr ao mesmo tempo

Cada dia que passa no espaço Schengen é contado duas vezes, por dois sistemas que não falam um com o outro.

A contagem de imigração pergunta: somando os 29 países Schengen, quantos dias passou nos últimos 180, num período móvel? O limite é 90. Atravessar uma fronteira interna não muda nada: Espanha, França e Alemanha alimentam todas o mesmo total.

A contagem fiscal faz outra pergunta, uma vez por país (Espanha, Portugal, França e Itália têm cada um a sua): quantos dias passou neste país, no período de contagem deste país? Na maioria deles, o limiar é de 183 dias num ano civil. Os dias em França não contam para a residência em Espanha.

Assim, um ano repartido por igual entre quatro países Schengen pode ultrapassar largamente o limite de imigração 90/180 sem acionar o critério fiscal dos 183 dias de nenhum país. O contrário também é possível.

Porque 90 dias parecem segurança, e não são

As contas tranquilizadoras são estas: o limiar fiscal é de 183, o meu visto limita-me a 90, por isso não posso tornar-me residente fiscal. Falham por três razões.

Primeiro, 183 dias não é a única via. A maioria das regras fiscais tem critérios alternativos que não precisam de qualquer contagem de dias: uma habitação permanente à sua disposição, o centro de interesses vitais, uma residência habitual, um local de negócio. Espanha, Portugal, França, Itália e Alemanha têm todos pelo menos um. Noventa dias com um apartamento arrendado e a família lá podem bastar.

Segundo, os períodos são diferentes. O período da 90/180 é móvel. Os períodos fiscais, em regra, não: a maioria corresponde ao ano civil, alguns a um ano fiscal, alguns a 12 meses móveis. Dias que já saíram da sua contagem Schengen podem continuar dentro de um ano fiscal.

Terceiro, nem toda a gente em Schengen está sujeita à 90/180. As autorizações de residência, os vistos nacionais de longa duração e a livre circulação na UE tiram-no do limite dos 90 dias, deixando todas as regras fiscais em pleno vigor. As pessoas mais expostas a uma residência fiscal acidental são justamente aquelas a quem o limite de imigração já não se aplica.

Fontes oficiais